• Ana Pais

Sabes o que significa amor-próprio?

Atualizado: 2 de nov. de 2021

Independentemente da vida que vivemos - ricos ou pobres, gordos ou magros, bonitos ou feios, carreiras de sucesso ou quase nenhuma habilitação, todos procuramos o mesmo nesta existência – sermos aceites, bons o suficiente e sentirmos que somos amados! E só ‘em-relação’ com o outro é possível experienciarmos o que isso significa, na sua verdadeira essência!


“Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo, nem orgulho. É amor-próprio” - Charles Chaplin

Cada vez que interagirmos com o outro estamos a aprender algo. Há sempre uma relação de reciprocidade em cada relacionamento que criamos e experienciamos na nossa vida, quer seja, com a nossa família, parceiro(a), amigos, colegas de trabalho, até mesmo com o senhor do café, onde vamos todas as manhas.


A escritora Isabel Allende diz que nós somos a ‘soma dos dias’. Eu diria antes que nós somos a soma das pessoas que se cruzam na nossa vida.


Isto é, somos o resultado de todas as relações que desenvolvemos ao longo da nossa vida (ou às vezes a ausência delas!). Essas relações podem ser duradoras ou breves, de sangue ou por afinidade, românticas ou de amizade, difíceis ou leves, de amor ou de ódio, íntimas ou superficiais, mas todas elas nos trazem aprendizagens. É através da relação com o outro que nós aprendemos e evoluímos para o Ser que temos capacidade e potencial para sermos.


A LIÇÃO QUE O OUTRO NOS DÁ


Vamos imaginar que o planeta Terra é a nossa escola; sendo que aqui ninguém é mestre, todos somos alunos e professores simultaneamente! Nesta escola da vida, cada um de nós veio aprender o que significa amor-próprio. Onde simplesmente somos nós próprios, na nossa individualidade, unicidade e verdade. Onde não queremos ser mais que o outro, porque já somos um todo! Onde não queremos ter mais poder que o outro, porque já o temos – já somos uma potência na nossa própria potência.


Quando aprendemos a colocar-nos em primeiro lugar e a amar-nos, significa que temos a capacidade de sermos completamente amados pelo outro e também de amá-lo de volta.


Contudo, neste planeta escola também temos diferentes graus de ensino – primário, secundário, universitário, por aí fora. E por isso também vamos encontrar pessoas com níveis distintos de consciência e com aprendizagens diferentes para fazer. Somente na relação com o outro, vamos conseguir entender que matéria ainda nos falta aprender, que virtudes precisamos desenvolver e praticar. É o outro quem vai servir de espelho e nos mostrar o que precisamos de trabalhar, o que está em déficit ou em desequilíbrio dentro de nós. Parece simples, assim escrito no papel, mas na vivência do dia-a-dia, nem sempre conseguimos ter essa clareza.


No caso de uma relação tóxica e de abuso, é muito fácil colocarmo-nos no lugar de vítima e acharmos que simplesmente não temos sorte na vida. Nem sempre conseguimos entender de que forma uma relação que nos faz sofrer, pode nos estar a ensinar algo de positivo, não é?! Talvez essa experiência nos esteja a ensinar como ‘definir limites’. E ao definirmos os nossos limites - até onde permitimos que outro vá, vamos estar por um lado a ‘reclamar’ o nosso próprio poder (aquele que demos voluntariamente ao outro em troca de amor), a aprender a respeitarmo-nos, e finalmente a aprender o que significa amor-próprio! Por outro lado, quando somos aquele que abusa, que exerce o seu poder sobre o outro, … bem, afinal não somos assim tão fortes! Por detrás dessa mascará está uma pessoa insegura e com muita falta de confiança em si próprio.


As pessoas que tendem a exercer o seu poder sobre o outro, tendem a esconder feridas profundas de falta de amor e de pertença no seio familiar. Algures na sua infância, sentiram-se profundamente rejeitados pelo pai, mãe ou ambos, e cresceram sentindo-se um erro, que pouco importam e que não são bons o suficiente. Possuem uma definição de amor deturpada, em que amor é igual a rejeição, dor e solidão. Muitas vezes também eles, foram vítimas de abuso familiar, seja ele verbal, emocional ou até mesmo físico. Coexistem com um medo de voltarem a serem traídos e confiar no outro é difícil.


DESCONSTRUIR CRENÇAS


Na verdade, é um ciclo de aprendizagem, em que uns servem os outros, mas sempre com a perspectiva mais elevada de evoluirmos como seres humanos, de descobrir que já somos perfeitos e que a valorização que procuramos receber do outro, deve começar por nós.


Quanto mais cedo esta aprendizagem é entendida, mais depressa saímos do ciclo do drama e do peso que trazemos à nossa existência. É surpreendente quando as pessoas acreditam que se amam, mas, no fundo, mal sabem o que isso significa. Não vou dizer que existe uma fórmula mágica para reaprendermos o que amor-próprio significa. Não podemos simplesmente copiar o seu significado de um artigo ou livro, mas podemos aprender algumas ferramentas que nos ajudam a encontrar o que isso significa dentro de nós.


É isso que tenho aprendido com o ThetaHealing®, a técnica de reprogramação de crenças, que ajuda a entender o papel que cada relação ocupa na nossa vida e que ´matéria’ estamos a aprender com ela.


Uma vez identificado quando estas crenças foram criadas e para que nos têm servido, dissolvê-las e substituí-las por programas positivos é a parte mais fácil neste trabalho com o ThetaHealing®.


Aceitar ser desrespeitado ou gastar demasiada energia procurando a aprovação ou reconhecimento de alguém em especial, não nos vai trazer felicidade duradora, prosperidade ou equilíbrio e bem-estar na vida. Não valerá mais a pena gastar essa energia, olhando para dentro, comprometermo-nos numa relação de respeito e lealdade connosco próprios e aprender a amar-nos?


Ahoo

Ana Pais


(Artigo publicado na revista Zen Energy - Julho 2021)



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